HIPOCRISIA À UNIÃO EUROPEIA e a farsa contínua dos seus dirigentes

24-01-2023

Segundo a Eurostat (gráfico na imagem anexa), entre fevereiro e agosto de 2022 as importações entre a Rússia e o resto da Europa aumentaram consideravelmente.

Há países em que esses valores duplicariam, outros até triplicaram.

Tudo isto num contexto em que, em princípio e em rigor, a Rússia devia estar sob fortes sanções económicas e políticas.

Empobrecer um país, não comprando os seus produtos, não recorrendo aos seus serviços, não importando as suas mercadorias e matérias-primas é a base de toda a qualquer vitória militar.

Porque as guerras perdem-se quando já não há dinheiro para mantê-las.

A realidade é tão simples quanto isso!

Como é evidente ao aplicar embargos e restrições, os países que tomam essas decisões também têm aceitar que vão sofrer, que vão ter carência de alguns produtos, outros vão pagar-se muito mais caros, outros vamos mesmo ficar sem eles.

Vão-se perder mercados, clientes, oportunidades de negócio.

A inflação irá aumentar, assim como as taxas de juro e a economias entrarão em recessão.

Foi assim na Primeira Guerra Mundial, pior foi na Segunda Guerra Mundial porque o mercado já estava muito mais globalizado, e quanto mais os mercados forem globais e interdependentes, pior serão esses efeitos.

É o preço da guerra!

É o "jogo" em que ninguém ganha.

Na guerra nem os vencedores ganham.

Todos perdemos: Uns é que perdem menos que outros.

Mas a guerra é o limite que temos de ultrapassar para que não se ultrapassem alguns limites.

A Rússia invadiu militarmente um país soberano ocupando parte do seu território, atacando a sua capital, pós em causa as suas instituições, matando civis inocentes, provocando a fuga de milhões.

A Rússia violou, declarada e explicitamente, o direito internacional que a mesma tinha prometido respeitar e fazer respeitar.

Todos, sem exceção, tem de afirmar que se está a cometer um crime e que esse crime tem de ser punido.

Antes de mais e primeiro que tudo (e como é costume desde há séculos), com sanções, que para além de punir o país agressor, enfraquece a sua economia e, consequentemente, a sua capacidade beligerante.

Essas sanções foram discutidas, aprovadas e retificadas (e bem) pela União Europeia, pelas suas instituições e pelos seus líderes e largamente ostentadas como o símbolo máximo que a Europa e o mundo ocidental estão preparados para defender os seus valores, os seus princípios e as bases fundamentais da democracia, da liberdade e dos direitos humanos.

Então o que significa a tabela difundida pela Eurostat?

Significa que, na União Europeia, nada mudou.

A União Europeia continua a ser uma farsa burlesca e patética em que os países mais ricos e poderosos mascaram as suas agendas nacionais num pertenço bem comum e projeto europeu.

Para isso pagam aos países mais pobres para "criar" número e credibilidade à encenação e, quando tudo está calmo, tudo corre bem.

Alemanha, Bélgica, Países Baixos, França dominam; outros ainda conseguem negociar, como a Itália, a Espanha, a Áustria e, depois, todos os outros, a troco de uns trocos (os famosos fundos europeus) fazem o que lhe mandam sem grandes alaridos.

Mas quando é preciso, de facto, haver força, consenso, afirmação, união.... É cada um por si e a União Europeia revela, de facto e em concreto, aquilo que é: uma encenação.

Assim foi na reação perante da Pandemia, assim está a ser na reação à invasão da Ucrânia, assim está a ser na aquisição conjunta de gás e outros combustíveis para obter melhores preços para os consumidores assim como outros produtos essenciais, assim está a ser na ridícula cena de fornecimento de ajuda militar à Ucrânia em que uns querem mas não podem e outros podem mas não deixam...  

E, não tenhámos ilusões: assim sempre será quando a União Europeia precisar de ser aquilo que diz ser mais não é: um conjunto de países unidos e coesos na aplicação e defesa dos ideais da democracia, da liberdade, da humanidade e do universalíssimo, inabaláveis na defesa do direito internacional, do Estado Social e na igualdade entre todos os Homens.

Um conjunto que, pela União da força, conseguiriam impor, ao resto mundo, a sua agenda, os seus interesses, a sua vontade para beneficio de todos, em especial de nós, os Europeus. Uma Instituição, que, como União, é a maior e mais pujante economia do mundo (com 23,8% do PIB mundial) devia ter um poder negocial esmagador, controlando, sem qualquer dificuldade, as taxas de juro, os valores da inflação, o equilíbrio dos mercados cambiais e comerciais, evitando crises e promovendo um maior equilíbrio na destruição da riqueza mundial...

Isso devia ser a União Europeia, isto é tudo que não é.

Mas o que me choca mais nisto tudo nem é o falhanço do projeto ou o fim da utopia.

Projetos falham todos os dias e utopias esfumam-se a toda a hora.

O que me choca é a hipocrisia contínua e descarada da União Europeia e dos seus líderes que, perante a evidência dos factos, perante a sua impotência, incompetência e inabilidade, continuam, com uma superioridade e arrogância que chega a ser patológica, a dizerem que estão a fazer aquilo que não estão. 

Mentem, sabem que estão a mentir, sabem que nós sabemos que estão a mentir e mentem na mesma.

O que fica quando até a dignidade e a vergonha se perderam?

Em que redoma se enclausuraram os dirigentes europeus para acreditarem que estão imunes a tudo, até ao descrédito completo daqueles que pensam liderar?

Que futuro será o da União Europeia?

Em que se transformará?

Qual será o nosso futuro vivendo numa dependência de algo que existe somente para alguns, somente para o interesse de alguns?

E aqui ficam as questões.

O futuro, como sempre, responderá.


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