2026: O ANO EM QUE O MUNDO JÁ NÃO PODE ADIAR O FUTURO

02-01-2026


O ano que agora começa, 2026, escapa a todas as previsões com uma facilidade inquietante.

Vivemos num tempo em que os mapas já não servem para orientar e as bússolas parecem girar sem norte.

A política global transformou-se num exercício de reação imediata, mais próxima do improviso do que do pensamento estratégico.

As principais potências movem-se por impulso, por cálculo tático de curto alcance, por anúncios que substituem decisões sólidas.

Governa-se ao ritmo das manchetes, reage-se ao ruído das redes, decide-se em função do impacto imediato.

O mundo tornou-se refém do instante!

Trump continua a dominar o espaço público global através da ameaça, do bluff e da provocação calculada. A política como espetáculo atingiu um patamar onde a imprevisibilidade já não é exceção, é método. E quando tudo é ruído, distinguir o essencial torna-se cada vez mais difícil.

A União Europeia, que poderia ser um farol num mundo instável, arrasta-se numa ausência quase total de estratégia. Discutem-se detalhes enquanto o edifício range. Falta visão, falta coragem, falta projeto. E sem projeto, não há rumo.

A NATO, por sua vez, vive uma crise de utilidade real que poucos querem assumir. Criada para um mundo que já não existe, tenta adaptar-se a ameaças que não domina totalmente. Entre a retórica e a capacidade efetiva, cresce um vazio perigoso.

Resta-nos o sul. E, em particular, a China. Calma, serena, paciente, estruturada, cada vez mais emergente e, sobretudo, cada vez mais incontornável. Enquanto o Ocidente se perde em ciclos de curto prazo, Pequim constrói o seu caminho passo a passo.

A China não governa pela lógica da ansiedade. Governa pelo tempo longo. Planeia décadas, não semanas. E isso faz toda a diferença num mundo que desaprendeu a esperar.

Há uma certeza em relação a 2026: isto não pode continuar assim!

O modelo de governação assente na improvisação permanente está a exaurir-se. As sociedades sentem-no no bolso, na instabilidade, no cansaço emocional coletivo.

O mundo precisa, mais do que nunca, de estruturas. Precisa de estratégia. Precisa de políticas de longo prazo que não mudem ao sabor de cada ciclo eleitoral, de cada sondagem, de cada crise artificialmente inflacionada.

Precisa de políticas ambientais que não sejam apenas slogans. Precisa de uma verdadeira visão sobre sustentabilidade que vá além do marketing verde. Precisa de coragem para enfrentar interesses instalados.

Precisa de uma política demográfica que encare o envelhecimento das populações, a migração, a baixa natalidade, sem tabus nem demagogias.

Precisa de planeamento e não de panfletos ideológicos.

Precisa também de uma estratégia séria para o desenvolvimento tecnológico. A inteligência artificial, a automação, a biotecnologia estão a avançar a uma velocidade vertiginosa. E a política continua, muitas vezes, a caminhar em passo lento.

Estamos a criar mundos novos com regras velhas. E isso é sempre uma receita para o conflito. A tecnologia não espera por consensos políticos, mas as consequências recaem sobre todos.

Temos de deixar de governar para micro-causas que apenas interessam a nano-minorias altamente organizadas e profundamente visíveis.

A política não pode continuar capturada por agendas que fragmentam em vez de unir.

Não se trata de negar direitos, nem de apagar diferenças. Trata-se de recentrar a ação política nas grandes causas estruturantes que impactam a vida concreta das pessoas: trabalho, habitação, saúde, educação, segurança, futuro.

Quando tudo é prioridade, nada é prioridade.

E o excesso de pequenas guerras simbólicas está a consumir a energia que deveria estar a ser investida na construção do essencial.

O Ocidente vive hoje entre o medo de mudar e a incapacidade de continuar como está. Este impasse é perigoso, porque gera paralisia. E a paralisia, em política, é sempre terreno fértil para soluções extremas.

As utopias, quando desligadas da realidade, transformam-se em armadilhas. Os sonhos, quando não enfrentam os limites do mundo concreto, tornam-se frustrações coletivas. Governar exige mais do que boas intenções.

É preciso rigor, consistência, continuidade. É preciso aceitar que nem tudo se resolve num ciclo político, mas que tudo começa com escolhas sérias feitas no presente.

2026 pode ser apenas mais um ano perdido.

Mas também pode ser o início de um reordenamento profundo de prioridades. A diferença estará na capacidade de romper com a lógica do improviso.

O mundo não precisa de mais slogans. Precisa de mais soluções. Não precisa de mais batalhas identitárias vazias. Precisa de mais pontes entre interesses divergentes.

A política voltou a ser, em demasiados lugares, um exercício de sobrevivência de curto prazo. Governa-se para resistir até amanhã, não para construir o depois de amanhã.

Entretanto, as pessoas sentem que o sistema já não oferece promessas credíveis. Trabalham mais, vivem com mais incerteza e recebem menos garantias. Este desequilíbrio social corrói a confiança.

Quando a confiança desaparece, abre-se a porta ao cinismo, ao radicalismo, à indiferença. E nenhuma democracia sobrevive muito tempo sem confiança.

Que 2026 seja, por isso, o ano em que o Ocidente acorda dos seus próprios sonhos mal calibrados. Que seja o ano em que a política regressa ao terreno da realidade.

Que seja o ano em que se volte a falar de estratégia sem vergonha, de planeamento sem complexos, de autoridade sem autoritarismo.

Que seja o ano em que os líderes voltem a assumir que governar não é agradar a todos, mas servir o interesse geral com coragem.

Que seja o ano em que as grandes decisões voltem a ter horizonte. Que se volte a pensar em décadas, e não em cliques.

Se em 2026 apenas isto acontecer, já não será pouco.

Será, na verdade, um avanço gigantesco num mundo cansado de andar em círculos.

Porque o futuro não se improvisa. Constrói-se!


👉 Para mais reflexões e análises, assine a newsletter da (DES) POLÍTICA no LinkedIn https://lnkd.in/dWPje5_Q e visite www.realpolitik.org.uk


#2026 #Geopolítica #EstratégiaGlobal #OcidenteEmCrise #ChinaEmergente #PolíticaInternacional #VisãoDeFuturo #Sustentabilidade #Tecnologia #Demografia #Instituições #Democracia #LongoPrazo #Realpolitik #Despolitica #FuturoGlobal #Governação #MundoEmMudança #AnálisePolítica #Estratégia