crónicas e artigos

Os meus artigos de análise geopolítica e geoestratégia


Tenho recebido centenas de mensagens nas últimas semanas. Pessoas que acompanham o meu trabalho perguntam-me, com alguma insistência, porque ainda não escrevi nada sobre os ataques ao Irão levados a cabo pelos Estados Unidos e por Israel. Confesso que compreendo a curiosidade — e até a expectativa.

Durante algum tempo, confesso, cheguei a pensar que Donald Trump iria inaugurar um novo método de fazer política. Não apenas um estilo mais agressivo ou uma retórica mais crua, mas uma verdadeira rutura com séculos de códigos implícitos que regulavam o confronto político entre adversários.

O Estado Social é, sem margem para dúvidas, uma das maiores conquistas políticas, económicas e morais do século XX. Nasceu da dor de guerras devastadoras, do choque com a miséria extrema e da consciência colectiva de que o progresso não podia continuar a ser privilégio de poucos.

Há algo de profundamente inquietante no atual cenário geopolítico global, e não é apenas o ruído constante das guerras, das sanções ou das declarações inflamadas que ocupam os noticiários.

Muitas vezes, quando se fala em populismo, a mente corre de imediato para aquelas figuras de discursos inflamados, que prometem o paraíso em dois tempos, que agitam multidões com frases de efeito e slogans fáceis. São esses que aparecem mais nas notícias, que protagonizam debates acesos e que se apresentam como salvadores improváveis.